miércoles, agosto 18, 2010

confesso:

me sinto patético
nessa cama
meio paralítico
confesso
como se fosse doente
não mexo as pernas
nem o cérebro
me deixo assim abatido
mais um dia
menos uma vida
me dá mais um cigarro
é só mais um truque
pra te ver sorrindo
pra mim
como naquelas primeiras vezes
em que nos víamos nas tardes
e deitava em mim
sob o sol que arde
até o pôr-do-sol
do outro dia
e meu cobertor no inverno
agora a cama vazia
nem o cheiro de café
nenhum abraço
nenhuma chegada
e nenhuma partida

me sinto completo
nessa cama
meio abstrato
confesso
como se fosse perfeito
não mexo as pernas
nem o cérebro
me deixo assim abatido
menos um dia
mais uma vida
não quero teu cigarro
é só mais um truque
pra me ver sorrindo
pra ti
como naquela última vez
em que nos vimos à tarde
e eu deitava em ti
sob o sol que arde
até o nascer do sol
desse dia
e meu cobertor no inverno
agora a cama vazia
sinto o cheiro do café
me dá um abraço
e só mais um chegada
e outra partida

4 comentarios:

Paolla R. dijo...

Nossa, obrigada!
o texto é meio confessional sim. é como me sinto de vez em quando.

bom, pelo menos não estamos sozinhos nessa!

Bianca Naponiello. dijo...

suspiros.

Pedro dijo...

Cara, esse poema é realmente bom, segue um rumo que não esperava. Parabéns, um abraço

pedro dijo...

Já que tem que aguardar a aprovação no comentário mesmo, continua escrevendo Tavinho, não fica tanto tempo sem postar, tu escreve bem.
Um abraço, Pedro