miércoles, enero 16, 2008

Velho Gaspar

O velho Gaspar sentado na cadeirinha de balanço mascando tabaco e cuspindo amarelo. As moscas varejeiras ali em cima, espreitando-o, esperando que vire carcaça.

miércoles, enero 02, 2008

Barulhos

A madrugada tem barulhos tão esquisitos que se ouvisse um tiro poderia pensar que é um pássaro ainda desconhecido, um alarme de carro, uma criança berrando, um copo quebrando, aqui dentro. Pois nada é nada e tudo, desprezo.

Foi quando de repente olhei pela vidraça e vi que o dia amanhecia, pingos escorriam e molhavam minhas mãos, se olhasse mais atentamente poderia ter visto o que só fui ver mais tarde: cada um desses pingos era um ser, um pequenino ser gigante em sua pequeneza. E foi um deles que mais tarde, muito mais tarde, me contou tudo. E sem que eu pudesse gritar, arremessou minha mão em direção à vidraça com sua incrível força de pequena-gigante-gota.

Foi o que eu disse à enfermeira antes de gritar de fato. Depois gritei. Aí fez um barulho tão esquisito, tão esquisito, que não sei se era barulho de choque tiro trovão alarme pela madrugada afora, ou se era um copo quebrando. Ou só a chuva caindo, aqui dentro. E então, adormeci.