domingo, diciembre 11, 2005

Dentro Daquele Terno


Dentro daquele terno preto ficava lindo.
Estava morto.

Acordou como todos acordam, como todos não querem acordar.
Acordou com sono, dormiu sem.
Estava pronta para ir à casa dele.
Passou um café, botou uma roupa qualquer e foi buscar pão na padaria perto de sua casa, voltou em cinco minutos, nem isso, tomou seu café da manhã, longo e pensativo. Porém rápido, não tinha tempo.
Tirou aquela roupa tomou um banho, estava cansada, a noite foi longa.
Remédios para dormir, remédios tarja preta, não recomendados pelo médico, comprados ilegalmente. Tomou e deitou para dormir, não dormiu, mesmo com os remédios estava sem sono, resolveu ir até a cozinha tomar um whisky para dormir mais rápido, vomitou.
O muco verde que subia de suas entranhas não era tão nojento quanto os pensamentos da pobre menina suja que toma remédios tarja preta que estava com medo e não lembra o que fez. Nem quer lembrar.
Estava com medo e com frio, estava de calcinha deitada no chão gelado se contorcendo sem poder falar com ninguém. Sentia saudade de sua vó.
Saiu do banho, se vestiu, uma roupa bonita para o ver, estava ansiosa para ir para a casa dele, não se lembrava porque, mas estava. Pegou sua chave, mas quando abria a porta o telefone tocou, era urgente, parecia urgente.

Dentro daquele terno preto ficava lindo.