martes, septiembre 27, 2011

nosso som

Cinzeiro cheio e copo vazio. Corpo inquieto. Mente inquieta. Mens sana in corpore, bláblá. Acho que nunca pensou que ouvir choro fosse tão, perturbador?

Olha, eu sei que tu tem um monte de coisas pra fazer, assim como todos sempre tem, e ninguém nunca, se permite o ócio, mas, mas, mas.

Fica só mais um pouco aqui comigo, deitado nesse sofá, com a cabeça apoiada nas minhas pernas, me conta da tua vida, diz que não deu nada certo, só pra variar um pouco, que não vê a hora de tudo voltar a ser como antes, e que nada, nunca vai voltar a ser como antes, porque só o que importa agora é o agora mesmo e sinceramente, só o que existe é o antes.

Aquela nostalgia que não acaba nunca e que de repente vem uma música e lembra, e vem um cheiro, e vem uma cor, e vem aquela sensação que vem junto com tudo isso, aquela sensação que já sabe de cor e já sabe que é bem inquietante. E perturbadora.

E agora troca a música, enche o copo, esvazia o cinzeiro.

E já pode ir embora novamente.

lunes, septiembre 05, 2011

e tudo que se repete

senti ciumes
da descrição do cotidiano
não queria estar aí
mas não queria que ninguém mais estivesse
por mais livre que seja
sejamos egoístas
por mais livre que seja
nunca deixarei de ser
nunca deixarei de ser

(ainda quero tudo ainda quero poder negar tudo
ainda quero não querer nada)

...


são paixões antigas
cigarros molhados
cafés sem gosto.
tudo que de alguma forma for ridículo
tudo que de alguma forma não se queira ter
tudo que de alguma forma
penetre incessantemente no inconsciente
e lá cresça
como planta carnívora,
parasita, erva daninha,
não como flor.

...

fumo
assistindo novela
na cratera
do desejo
te vejo
na fumaça cinza
cinza
sinta
sinta
o mesmo que eu

te quero
agora
e não
para sempre
(nesse instante
sempre)
me devora a sede
sede
sente
sente
meu corpo sobre o teu

teu braço sobre o meu
teu abraço,
o laço,
entre você
e eu.

...

e de madrugada fica inquieta
depois dorme o dia inteiro
revirando no travesseiro
vontades ocultas
talvez paixões escondidas
que ninguém mais pode saber
só a vergonha que lhe resta
agora nessa cama
encharcada de suor
apertando seu corpo
contra seu corpo
sua pele com sua pele
seu suor
nas paredes de concreto
que envolvem a madrugada
grita que não quer mais nada
e seu café não é o primeiro
seu desejo é sempre o mesmo
e sua angustia
e a vontade de sumir
tapa a cara com o travesseiro
fuma mais um cigarro
e a vodka talvez
caísse bem
e o que ela quer
não esta mais la fora
nem mais do seu lado
mas dentro dentro
e só dela
e com ele faz o que quer.

jueves, agosto 18, 2011

cigarros molhados

O mundo não é bonito e as pessoas não são boas.

Acho que era o que eu queria dizer à ela enquanto chovia e eu voltava a pé pra casa e cada gota de chuva doía como um tapa. O cigarro molhado quebrando nos dedos, esperando pelo que não vem, a efemeridade das coisas surpreende sempre, porque tudo passa, tudo que começa acaba, e mais rápido do que se imagina, ou: pra que insistir em algo que simplesmente faz mal?

Queria que alguém me dissesse que vai ficar tudo bem, queria que alguém pudesse me dizer que vai ficar tudo bem, mas nem sei se queria que ficasse tudo bem.

Sinceramente, só queria dormir pra sempre.

miércoles, agosto 10, 2011

a tempestade (ou o livro dos dias)

Dorme como quem nem queria. Agradece por pelo menos poder dormir o quanto quiser (alguma coisa boa tinha que acontecer hoje). Nem sabe mais o que deveria sentir, mas sabe que ninguém, ninguém, ninguém, vai lhe dizer. Sabe que sente saudade, que sente saudade pra caralho, que só o que sente é saudade. E medo também. Sempre. O companheiro mais antigo, e talvez, o único.
Medo que ela não venha.
Medo que ela não volte.
Medo que não exista mais nada, que de novo, seja tudo só ilusão.
Se sentir só já não é nenhuma novidade, esperar também não. A gente se acostuma com a dor, a gente se acostuma com a tristeza. Talvez um dia se acostume com a felicidade (e a mentira é salvação).
Bebe só mais um copo de cerveja, fuma só mais um cigarro, bebe só mais um copo de cerveja, fuma só mais um cigarro, bebe só mais um copo de cerveja, fuma só mais um cigarro, um ciclo, que se repete, eterno.
Ele sabia que ela não estaria, ele sempre soube que ela não estaria, ele sabia da última vez, ele sabia dessa, ele vai saber da próxima. O passado e o futuro são incrivelmente iguais.
Ele sabia que ela não tava muito bem por lá, que ela queria estar aqui, mas ela escolheu.
Ela finalmente leu o que já deveria ter lido quando ainda era tempo, e talvez ainda seja, seilá, talvez sempre seja.
Não teria a menor graça se ele não se contradissesse o tempo todo. Se ele não reclamasse o tempo todo.

Só pra ver ela sorrir, só pra ver ela sorrir.
E ele nem sabe porque se sente assim, nunca vai saber, mas sempre vai sentir, talvez e só talvez, seja o que lhe impulsione a querer acordar de novo.
Com a saudade, tecer uma prece, prum novo dia, que seja diferente de ontem.
Mas não vai ser.
Talvez, e só talvez, seja o que lhe impulsione. A continuar, suicida, esperançoso, incrivelmente sozinho.
Em uma madrugada que parece a mesma de sempre, em uma madrugada que parece, e sempre parece, que nunca vai acabar, em uma madrugada que parece que é tudo eterno.
Sabe, isso é o que pra ele dói mais (ninguém sabia e ninguém viu que eu estava ao teu lado então...).
Tão cínico, sempre.

não estava nada bem, mas a tempestade lhe distrai.


strawberry
fields
forever.

martes, agosto 02, 2011

pequenas observações

ele leu Cortázar a noite inteira e decidiu que deveria escrever alguma coisa, alguma coisa sobre um homem tomando um café ou trocando um pneu. alguma coisa sobre um sorriso, sobre um ônibus que sempre chega e sobre bicicletas cortando o trânsito, cortando o tempo, cortando o espaço, coração ardendo no peito, como deve ser, pra se sentir vivo, pra se sentir mais vivo. (fumar olhando a chuva pela janela, nessa madrugada que não deveria acabar).



acho que deveria ter um gato e eu que nunca gostei de animais, mas eu que nunca gostei de tanta coisa mesmo que agora gosto e nem sei mais. sei que não gosto do barulho da obra e não gosto do que vai virar aqui do lado. sei que gosto de reclamar e gosto desse barulho de pingos, desse cheiro, que grudou nas narinas, que espalhou em todo corpo.



sim, e tudo trava no meio do sonho, mas não importa. não importa que só seja real na minha mente, porque nada nunca foi tão real.
é tão real a lembrança quanto o que a gera.





e tudo já é passado.

martes, julio 05, 2011

Abismo (ou Pensamentos de quem tá quase dormindo)

- E se cria um abismo entre nós.

E porque mesmo esse abismo? SE aqui é bom, lá com certeza vai ser melhor. Com certeza? Talvez. (eu gosto mesmo é de vida real...) sei que não entendo nada disso, não quero que a noite acabe, fumo o penúltimo cigarro ouço a última música. E ela vai embora.

Sei que não entendo nada disso.

Levanto e faço um chá pra ver se durmo. Dou play novamente, mas a música, as vezes, e só as vezes, atrapalha os pensamentos. Também desligo a televisão, “informação demais.

Fico pensando em uma fogueira enquanto a água ferve. A chama do fogão é mais bonita, eu acho. É azul e eu gosto mais de azul. Mas a outra impressiona mais, muito mais. Mais "verdadeira".

As vezes acho que, por aqui, eu acabo falando demais, causando uma outra impressão. Tem como a gente ser duas pessoas, assim, ao mesmo tempo? Uma aqui, outra lá? E sinceramente, não sei se existe essa divisão, ou: qual das duas é a vida real mesmo?

Que se crie abismos, que se crie silêncios, que se crie sorrisos, que se crie a realidade.

Que fiquem os dois, quietos.



em silêncio, sorrindo.

lunes, junio 20, 2011

passos


caminho na madrugada
e só ouço o som dos meus passos
a solidão me assusta
não te ter por perto é só o inicio
a repressão do dia-a-dia
- que é mascarada com cigarros e cafés -
transparece na volta pra casa
depois de tudo o que não consigo negar
só confio naquele que me pede um cigarro
não tenho o direito de ter medo da claridade
o dia sempre amanhece
e eu só ouço o som dos meus passos.

jueves, junio 16, 2011

Como for.

Nunca me senti tao ridícula quanto nessa situação. De quatro no chão de um banheiro público procurando a lente do óculos que insiste em cair. Voltando pra casa na madrugada fria, pensando sozinha que não quero mais nada disso, mas que seja, que seja, seja. Tanto faz. Que eu não durma hoje, que eu não durma nunca mais, passe a noite em claro, olhando pra rua, fumando um cigarro e outro, bebendo uma cachaça e outra, até acabar tudo, até não sobrar mais nada, até sentir falta. Olhando pra rua. Toco meu tambor como princesa nigeriana, tanto faz. Não toco nada, não faço barulho. Nessas horas nunca faço barulho. Ouço música, fone de ouvido, não atrapalho os vizinhos. De quatro no chão do banheiro procurando a lente do óculos que insiste em cair.
Vontade de ficar em coma por três meses pra saber quem iria no hospital. Compro cigarros de dois reais na esquina esperando que esse não acabe, que essa não acabe. Sempre acaba. Sobe morro, desce morro, sobre morro, desce morro. Dentro do apartamento é tudo mais fácil, minha fortaleza. (esquina paranóia delirante...) a manhã chega porque a manhã SEMPRE chega. E os compromissos não me esperam, ninguém me espera.
A gente aguenta mais um mês, talvez. Talvez não.
O que me importa é que nunca me senti tão ridícula quanto nessa situação.
Mas eu aguento.

lunes, febrero 28, 2011

no amplo universo
onde se encontram os gestos
pequenos gestos são grandes
de fato
restos são restos.

lunes, febrero 07, 2011

Nunca

O último copo é o que dói mais. Esperar por uma noite que não chega, por alguém que nunca disse que viria. Ela se faz precisa toda enrolada em um edredom de abraços imaginários.

Não aguentava mais cigarros. Não aguentava mais. Os olhos vermelhos e cansados da noite que nunca chegava. E nunca acabaria, aquilo. As pessoas que não iam embora, aquilo. Pouco a pouco as pessoas indo embora e o momento chegando, aquilo. Isso: a esperança que sempre restava e o fazia acender mais um cigarro.


O cinzeiro verde musgo do lado da cama. A colcha verde a parede verde o pensamento verde os olhos pretos e a fumaça azul. Talvez cinza. Talvez verde. Talvez nunca. Nunca a barriga pra cima o corpo esticado reto sobre a cama, o corpo nu e esticado reto sobre a cama. Nunca o sono. Levantava pra ir até o banheiro, o chão gelado, o corpo quente. Quente nu e ereto. Sobre o chão, o chão de toda a casa: o mundo.

Ela se faz precisa toda enrolada em um edredom de abraços imaginários.

Um copo de água e um cigarro na sala. Talvez ligasse a tv, talvez abrisse a janela, talvez alguém tocasse a campainha, talvez alguém ligasse, talvez algum recado. Seria melhor não checar. Mas checava. Seria melhor não esperar, mas esperava. A noite que nunca chega. Os cigarros que nunca acabam e o sono que nunca vem.


Uma pilha de revistas. Várias pilhas de discos. Vários cadernos empilhados anotações espalhadas desenhos espalhados tintas espalhadas canetas espalhadas enormes instrumentos bloqueando a passagem de sonhos espalhados. Distração noturna era organizar tudo. Juntar o lixo, esvaziar os cinzeiros.

Voltar a cama seria perder tempo tão não precioso. Poderia tentar se distrair sozinho, se fazer sono, repetindo palavras incessantemente até a realidade se misturar com o sonho, até não entender. Não poder mais.

Mas seria perder tempo.


O corpo esticado reto sobre a cama, o corpo nu esticado reto sobre a cama. Não teria sono. Nunca. Poderia sonhar e seria atormentador. Como foi na noite passada, como tinha sido em todas as últimas noites. A única coisa que o fazia se sentir acompanhado, mesmo distante. SOZINHO. É uma palavra que de repente dói. E de repente conforta. E de repente amedronta. E de repente conforta.

Sozinho.

O corpo esticado reto sobre a cama. O corpo nu esticado reto sobre a cama.

O sono que não vem. A noite que não chega. Alguém que nunca virá.

O sono que não vem. A campainha que não toca. O telefone que não toca. O recado que não chega.

O cigarro que acaba.

O sonho que não quer que venha. Nunca.

Ela se faz precisa toda enrolada em um cobertor de abraços imaginários.

O abraço que não vai deixar de ser imaginário.

Nunca.

martes, febrero 01, 2011

como sempre

Fumava, como sempre, silencioso, na janela, como sempre. Como é mesmo o nome daquela música? Aquela que fica linda na voz da Céu? Tentava lembrar a letra.

(pois o teu samba tem mistério e é gostoso de sambar...)

Levantou e sentou na cama, do lado dela, ela sorriu. Ele também. Um sorriso contido, de canto de boca. Depois desviou o olhar, procurou algo pra fazer com as mãos, procurou algo pra fazer com as pernas, procurou algo pra fazer com o corpo todo. Pensou em deitar e puxar ela pra cima de si, ou pra baixo, ou pelo menos pro lado. Levantou e buscou um copo de água.

A noite tá bonita hoje. Dá vontade de sair e tomar cerveja, dançar samba.

Dá vontade de tomar vinho, dançar tango. Noite romântica. Noite argentina.

Tá quente demais pra vinho.

Tá quente demais pra qualquer coisa.

Tira a camisa.

Ele tirou. Sorriu e acendeu outro cigarro. Ela também, embora não quisesse fumar.

Põe uma música...

Ponho.

Botou a que ele queria escutar. Levantaram e dançaram. Rosto colado. Corpo colado. Suor. Perfumes misturados. Noite romântica. Noite argentina.

Embora não fosse tango.

Sentaram na cama, ele sorriu. Ela também. Sorriso contido. Corpo contido. Noite contida. Depois desviou o olhar.

Me alcança um cigarro?

Ela esperou que ele fizesse algo. Ele não fez.

Ela continuaria esperando, como sempre.

jueves, enero 27, 2011

esse livro aberto como uma saída.

Cada vez mais tenho certeza que vergonha não me favorece em nada. Não tem uma hora certa e eu deixo passar todas as horas que existem. (no relógio o tempo é uma saudade tensa). Eu devia ter feito o que não fiz, e provavelmente nunca vá fazer.

Eu só queria que soubesse que seria diferente se eu soubesse antes, mas ninguém me disse. E ninguém nunca vai me dizer. Pelo menos não foi a primeira vez.


Ela vai caminhar pela rua e sentar na praça. Ela vai abrir uma cerveja acender um cigarro talvez vodka talvez café.

Ela vai abrir seu bloquinho e despejar em sua arte toda sua falta de vida.

Se tivesse coragem pra viver provavemente não teria coragem pra escrever nada. O que até é um certo alívio.

Incrível como sempre me cobram isso.

Esse não sou eu. Nem o que fala contigo.


É difícil ser exato em um pedaço de papel ou em uma tela de computador. É difícil ser qualquer coisa ao vivo.


Se sentir à vontade faz parte do processo.

Eu só me sinto à vontade sozinho.

lunes, enero 03, 2011

A taça de vinho que nunca tomamos.

Foi a revelação que me faltava. Mas nunca soube se era você ou ela. E se for você, provavelmente, ainda é.
Relações espaço-temporais me assustam.(espero que seja ela, caso contrário, nunca saberia agir, e assim, tenho uma desculpa.)



Ela embarcou sem que ele pudesse dizer tchau, nem dizer o quanto aquele tempo em que passaram juntos foi estimulante: sentia-se mais vivo e produtivo.

Devíamos ter tomado aquela taça de vinho que nunca tomamos.
Nós dois não sabemos marcar compromissos sociais.
Nós dois não entendemos direito a definição de compromissos sociais.
As coisas deveriam ser espontâneas, bem mais espontâneas.
Um bom amigo nunca deveria deixar de ser um bom amigo.
Um bom amigo nunca deveria deixar de ser um bom amigo?



Amanheceu mais tarde naquela segunda-feira de outubro. O céu ficou escuro até quase as oito, e algo. Tomou café querendo tomar vinho, mas não se toma vinho de manhã, vinho dá sono. E precisava continuar sendo produtivo.



Detesto esse tom confessional, mas não tenho como ser diferente. Gosto de grandes tramas, mas não vejo nelas, não sempre, sutileza de detalhes.
Preciso de um cigarro.
Detestava quando ela estava por perto e detesto ainda mais o fato de ela estar longe. Coisas espontâneas realmente acontecem? Ou precisamos forjar toda uma série de acontecimentos que nos levarão ao derradeiro acontecimento espontâneo?



De qualquer forma: nada aconteceria.