martes, septiembre 27, 2011

nosso som

Cinzeiro cheio e copo vazio. Corpo inquieto. Mente inquieta. Mens sana in corpore, bláblá. Acho que nunca pensou que ouvir choro fosse tão, perturbador?

Olha, eu sei que tu tem um monte de coisas pra fazer, assim como todos sempre tem, e ninguém nunca, se permite o ócio, mas, mas, mas.

Fica só mais um pouco aqui comigo, deitado nesse sofá, com a cabeça apoiada nas minhas pernas, me conta da tua vida, diz que não deu nada certo, só pra variar um pouco, que não vê a hora de tudo voltar a ser como antes, e que nada, nunca vai voltar a ser como antes, porque só o que importa agora é o agora mesmo e sinceramente, só o que existe é o antes.

Aquela nostalgia que não acaba nunca e que de repente vem uma música e lembra, e vem um cheiro, e vem uma cor, e vem aquela sensação que vem junto com tudo isso, aquela sensação que já sabe de cor e já sabe que é bem inquietante. E perturbadora.

E agora troca a música, enche o copo, esvazia o cinzeiro.

E já pode ir embora novamente.

lunes, junio 20, 2011

passos


caminho na madrugada
e só ouço o som dos meus passos
a solidão me assusta
não te ter por perto é só o inicio
a repressão do dia-a-dia
- que é mascarada com cigarros e cafés -
transparece na volta pra casa
depois de tudo o que não consigo negar
só confio naquele que me pede um cigarro
não tenho o direito de ter medo da claridade
o dia sempre amanhece
e eu só ouço o som dos meus passos.

jueves, junio 16, 2011

Como for.

Nunca me senti tao ridícula quanto nessa situação. De quatro no chão de um banheiro público procurando a lente do óculos que insiste em cair. Voltando pra casa na madrugada fria, pensando sozinha que não quero mais nada disso, mas que seja, que seja, seja. Tanto faz. Que eu não durma hoje, que eu não durma nunca mais, passe a noite em claro, olhando pra rua, fumando um cigarro e outro, bebendo uma cachaça e outra, até acabar tudo, até não sobrar mais nada, até sentir falta. Olhando pra rua. Toco meu tambor como princesa nigeriana, tanto faz. Não toco nada, não faço barulho. Nessas horas nunca faço barulho. Ouço música, fone de ouvido, não atrapalho os vizinhos. De quatro no chão do banheiro procurando a lente do óculos que insiste em cair.
Vontade de ficar em coma por três meses pra saber quem iria no hospital. Compro cigarros de dois reais na esquina esperando que esse não acabe, que essa não acabe. Sempre acaba. Sobe morro, desce morro, sobre morro, desce morro. Dentro do apartamento é tudo mais fácil, minha fortaleza. (esquina paranóia delirante...) a manhã chega porque a manhã SEMPRE chega. E os compromissos não me esperam, ninguém me espera.
A gente aguenta mais um mês, talvez. Talvez não.
O que me importa é que nunca me senti tão ridícula quanto nessa situação.
Mas eu aguento.

lunes, febrero 28, 2011

no amplo universo
onde se encontram os gestos
pequenos gestos são grandes
de fato
restos são restos.

lunes, febrero 07, 2011

Nunca

O último copo é o que dói mais. Esperar por uma noite que não chega, por alguém que nunca disse que viria. Ela se faz precisa toda enrolada em um edredom de abraços imaginários.

Não aguentava mais cigarros. Não aguentava mais. Os olhos vermelhos e cansados da noite que nunca chegava. E nunca acabaria, aquilo. As pessoas que não iam embora, aquilo. Pouco a pouco as pessoas indo embora e o momento chegando, aquilo. Isso: a esperança que sempre restava e o fazia acender mais um cigarro.


O cinzeiro verde musgo do lado da cama. A colcha verde a parede verde o pensamento verde os olhos pretos e a fumaça azul. Talvez cinza. Talvez verde. Talvez nunca. Nunca a barriga pra cima o corpo esticado reto sobre a cama, o corpo nu e esticado reto sobre a cama. Nunca o sono. Levantava pra ir até o banheiro, o chão gelado, o corpo quente. Quente nu e ereto. Sobre o chão, o chão de toda a casa: o mundo.

Ela se faz precisa toda enrolada em um edredom de abraços imaginários.

Um copo de água e um cigarro na sala. Talvez ligasse a tv, talvez abrisse a janela, talvez alguém tocasse a campainha, talvez alguém ligasse, talvez algum recado. Seria melhor não checar. Mas checava. Seria melhor não esperar, mas esperava. A noite que nunca chega. Os cigarros que nunca acabam e o sono que nunca vem.


Uma pilha de revistas. Várias pilhas de discos. Vários cadernos empilhados anotações espalhadas desenhos espalhados tintas espalhadas canetas espalhadas enormes instrumentos bloqueando a passagem de sonhos espalhados. Distração noturna era organizar tudo. Juntar o lixo, esvaziar os cinzeiros.

Voltar a cama seria perder tempo tão não precioso. Poderia tentar se distrair sozinho, se fazer sono, repetindo palavras incessantemente até a realidade se misturar com o sonho, até não entender. Não poder mais.

Mas seria perder tempo.


O corpo esticado reto sobre a cama, o corpo nu esticado reto sobre a cama. Não teria sono. Nunca. Poderia sonhar e seria atormentador. Como foi na noite passada, como tinha sido em todas as últimas noites. A única coisa que o fazia se sentir acompanhado, mesmo distante. SOZINHO. É uma palavra que de repente dói. E de repente conforta. E de repente amedronta. E de repente conforta.

Sozinho.

O corpo esticado reto sobre a cama. O corpo nu esticado reto sobre a cama.

O sono que não vem. A noite que não chega. Alguém que nunca virá.

O sono que não vem. A campainha que não toca. O telefone que não toca. O recado que não chega.

O cigarro que acaba.

O sonho que não quer que venha. Nunca.

Ela se faz precisa toda enrolada em um cobertor de abraços imaginários.

O abraço que não vai deixar de ser imaginário.

Nunca.

lunes, enero 03, 2011

A taça de vinho que nunca tomamos.

Foi a revelação que me faltava. Mas nunca soube se era você ou ela. E se for você, provavelmente, ainda é.
Relações espaço-temporais me assustam.(espero que seja ela, caso contrário, nunca saberia agir, e assim, tenho uma desculpa.)



Ela embarcou sem que ele pudesse dizer tchau, nem dizer o quanto aquele tempo em que passaram juntos foi estimulante: sentia-se mais vivo e produtivo.

Devíamos ter tomado aquela taça de vinho que nunca tomamos.
Nós dois não sabemos marcar compromissos sociais.
Nós dois não entendemos direito a definição de compromissos sociais.
As coisas deveriam ser espontâneas, bem mais espontâneas.
Um bom amigo nunca deveria deixar de ser um bom amigo.
Um bom amigo nunca deveria deixar de ser um bom amigo?



Amanheceu mais tarde naquela segunda-feira de outubro. O céu ficou escuro até quase as oito, e algo. Tomou café querendo tomar vinho, mas não se toma vinho de manhã, vinho dá sono. E precisava continuar sendo produtivo.



Detesto esse tom confessional, mas não tenho como ser diferente. Gosto de grandes tramas, mas não vejo nelas, não sempre, sutileza de detalhes.
Preciso de um cigarro.
Detestava quando ela estava por perto e detesto ainda mais o fato de ela estar longe. Coisas espontâneas realmente acontecem? Ou precisamos forjar toda uma série de acontecimentos que nos levarão ao derradeiro acontecimento espontâneo?



De qualquer forma: nada aconteceria.