martes, febrero 03, 2009

esperança

Saio e fumo pelo maior tempo possível. Caminho pela grama molhada com cheiro de terra e inverno e vou até o lago sujo de peixes mortos. Apago o cigarro e volto. Me tranco no escritório e olho para os relatórios até que eles não façam mais sentido nenhum, se transformem assim, em uma massa qualquer de mofo cinza-esverdeado. E então saio pra almoçar, subo a ladeira de pedras até o refeitório. E gosto de subir assim, silenciosa, cabisbaixa, chutando alguma coisa e relembrando: alguma passagem de um livro, algum trecho de música, algum amor antigo, algum ódio contido, algum sentimento forte.
Vou me sentindo como as pedras. Secando após a chuva, oca e cinza, por dentro, e por fora.
...
Uma violeta no meio das pedras. Alguma esperança, talvez.

3 comentarios:

J.P. dijo...

saudade da minha casinha na serra... passear pelo jardim, passar pelo lago artificial com peixes - pasmém - vivos, e sentar na minha pedra que já assumiu sua função de 'smoking lounge'. nada como passar anos procrastinando uma visita à família, a meros 97km da capital.

sabe, ainda fugiremos dessa cidade, cara. tu vai ver só. (mas não pra virar riponga interiorano)

abraço, e até daqui a pouco.

Ana dijo...

Teus textos me fazem sentir um aperto, as palavras são agoniadas, lascívas, tocam no lado sombrio. Mas o mais estranho é que sempre seus posts me dão vontade de fumar, talvez seja o fato de sempre mencionar cigarro, talvez seja pq me deixam frustrada. Gosto muito. Beijos.

Cláudia Linck dijo...

Lindo.