jueves, febrero 21, 2008

Anotações

por gustavo e natália


Amo e odeio todos os homens que passaram pela minha vida, uns mais outros menos, sem exceções.
Escrevo no meu caderninho de anotações.
Noto isso as duas da tarde, deitado no sofá, dois cigarros e nenhum isqueiro, sem vontade de sair. Sem inspiração nenhuma pra pintar e sem um puto pila no bolso. Dor nas costas do caralho.
Anoto isso também, em letras grandes: DOR NAS COSTAS DO CARALHO
Preciso de massagem de dedos leves de mãos pesadas. Preciso de toque forte de gente frágil. De gente grande que por dentro é pequena, é mesquinha, é frágil frágil frágil e deveria vir com uma faixa de cuidado. Como todos que passaram por mim. Lindas muralhas gigantes feitas de torrões de açúcar no lugar de pedras.
Anoto: Preciso de alguém que grite comigo.
Preciso de um isqueiro.
Preciso pintar mais.
Preciso vender o que pinto.
Preciso de um corpo em cima do meu.
Ou embaixo, tanto faz.
Preciso.
Preciso.
Preciso.


Então acordo em um banheiro forrado de post-it's amarelos com anotações que não entendo.

3 comentarios:

PUNKSSAURO dijo...

Pensei que a tarde do personagem ia acabar numa... punheta.

jk.dornelles dijo...

gritava foucault, o mais macho dos filósofos contemporaneos
"Eu me recuso a aceitar que um indivíduo possa ser identificado com e através de sua sexualidade."
quando lhe perguntavam sobre sua terapias de chicotadas nas costas..

mas também dizia, noutro lado,
"A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível"

Oo
viva os post-its ilegíveis!

Gusthavo dijo...

Nem sei como descobri esse blog. Dane-se.

Aqui é um ponto de genialidade.

Parabéns