lunes, junio 20, 2011

passos


caminho na madrugada
e só ouço o som dos meus passos
a solidão me assusta
não te ter por perto é só o inicio
a repressão do dia-a-dia
- que é mascarada com cigarros e cafés -
transparece na volta pra casa
depois de tudo o que não consigo negar
só confio naquele que me pede um cigarro
não tenho o direito de ter medo da claridade
o dia sempre amanhece
e eu só ouço o som dos meus passos.

jueves, junio 16, 2011

Como for.

Nunca me senti tao ridícula quanto nessa situação. De quatro no chão de um banheiro público procurando a lente do óculos que insiste em cair. Voltando pra casa na madrugada fria, pensando sozinha que não quero mais nada disso, mas que seja, que seja, seja. Tanto faz. Que eu não durma hoje, que eu não durma nunca mais, passe a noite em claro, olhando pra rua, fumando um cigarro e outro, bebendo uma cachaça e outra, até acabar tudo, até não sobrar mais nada, até sentir falta. Olhando pra rua. Toco meu tambor como princesa nigeriana, tanto faz. Não toco nada, não faço barulho. Nessas horas nunca faço barulho. Ouço música, fone de ouvido, não atrapalho os vizinhos. De quatro no chão do banheiro procurando a lente do óculos que insiste em cair.
Vontade de ficar em coma por três meses pra saber quem iria no hospital. Compro cigarros de dois reais na esquina esperando que esse não acabe, que essa não acabe. Sempre acaba. Sobe morro, desce morro, sobre morro, desce morro. Dentro do apartamento é tudo mais fácil, minha fortaleza. (esquina paranóia delirante...) a manhã chega porque a manhã SEMPRE chega. E os compromissos não me esperam, ninguém me espera.
A gente aguenta mais um mês, talvez. Talvez não.
O que me importa é que nunca me senti tão ridícula quanto nessa situação.
Mas eu aguento.