jueves, enero 27, 2011

esse livro aberto como uma saída.

Cada vez mais tenho certeza que vergonha não me favorece em nada. Não tem uma hora certa e eu deixo passar todas as horas que existem. (no relógio o tempo é uma saudade tensa). Eu devia ter feito o que não fiz, e provavelmente nunca vá fazer.

Eu só queria que soubesse que seria diferente se eu soubesse antes, mas ninguém me disse. E ninguém nunca vai me dizer. Pelo menos não foi a primeira vez.


Ela vai caminhar pela rua e sentar na praça. Ela vai abrir uma cerveja acender um cigarro talvez vodka talvez café.

Ela vai abrir seu bloquinho e despejar em sua arte toda sua falta de vida.

Se tivesse coragem pra viver provavemente não teria coragem pra escrever nada. O que até é um certo alívio.

Incrível como sempre me cobram isso.

Esse não sou eu. Nem o que fala contigo.


É difícil ser exato em um pedaço de papel ou em uma tela de computador. É difícil ser qualquer coisa ao vivo.


Se sentir à vontade faz parte do processo.

Eu só me sinto à vontade sozinho.

lunes, enero 03, 2011

A taça de vinho que nunca tomamos.

Foi a revelação que me faltava. Mas nunca soube se era você ou ela. E se for você, provavelmente, ainda é.
Relações espaço-temporais me assustam.(espero que seja ela, caso contrário, nunca saberia agir, e assim, tenho uma desculpa.)



Ela embarcou sem que ele pudesse dizer tchau, nem dizer o quanto aquele tempo em que passaram juntos foi estimulante: sentia-se mais vivo e produtivo.

Devíamos ter tomado aquela taça de vinho que nunca tomamos.
Nós dois não sabemos marcar compromissos sociais.
Nós dois não entendemos direito a definição de compromissos sociais.
As coisas deveriam ser espontâneas, bem mais espontâneas.
Um bom amigo nunca deveria deixar de ser um bom amigo.
Um bom amigo nunca deveria deixar de ser um bom amigo?



Amanheceu mais tarde naquela segunda-feira de outubro. O céu ficou escuro até quase as oito, e algo. Tomou café querendo tomar vinho, mas não se toma vinho de manhã, vinho dá sono. E precisava continuar sendo produtivo.



Detesto esse tom confessional, mas não tenho como ser diferente. Gosto de grandes tramas, mas não vejo nelas, não sempre, sutileza de detalhes.
Preciso de um cigarro.
Detestava quando ela estava por perto e detesto ainda mais o fato de ela estar longe. Coisas espontâneas realmente acontecem? Ou precisamos forjar toda uma série de acontecimentos que nos levarão ao derradeiro acontecimento espontâneo?



De qualquer forma: nada aconteceria.