ao som de "Bananeira" versão da Caixa Preta. (ou a da Bebel Gilberto)
Há muito sangue espalhado. Copos quebrados, cigarros molhados, cabeças cheias, salas vazias. Tudo dilacera e espatifa e corta como lâmina gelada entrando na pele também gelada, porque nada mais é quente a não ser o sangue, seja ele qual for.
E acabou. Limpa isso tudo, toma um banho bem quente, seca com a toalha mais felpuda, joga água quente pelo chão. Exige de todos essa compaixão, essa pena, se é que se pode chamar de compaixão, ou pena, esse desejo de ser sempre o que merece conforto: egoísmo: imaturidade.
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Seja qual for teu santo, tua cor favorita, teu orixá. Seja qual for a marca de chá que tu usa, o tipo de roupa que tu veste, tua escola filosófica favorita. Seja qual for teu pensamento mais íntimo, eu te quero assim, cada dia descobrindo mais e mais de ti, cada dia descobrindo que não, eu não sei nada de ti.
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Escuta, já tá tarde e tu precisa dormir. Eu botei Keith Jarret par tocar enquanto olho a chuva cair pela vidraça, eu vou fazer um chá bem quente e vou tomar pensando em ti. Eu prometo. Escuta, eu não tenho muito a te oferecer, além de tudo o que me é mais sôfrego e pulsa aqui dentro, além desse “entregar-se por inteiro”, além desse tatear de cego. Nada. Nada além desse chá quente. Desse olhar pela vidraça.