miércoles, octubre 10, 2007


...e cada vez suando mais, encharcada no seu próprio líquido, um líquido tão seu, que ela já sabia de cor, o gosto, o cheiro, a sensação, um líquido tão seu que por um segundo a fez pensar que era a única coisa que tinha e conhecia perfeitamente: e mesmo conhecendo perfeitamente queria conhecer cada vez mais: tudo agora é líquido e inunda: a mão molhada descendo e apertando cada vez mais as coxas e encontrando o sexo: o suspiro. A sensação de se conhecer cada vez mais era tão grande, meio canibal até, que ela queria tanto, se pudesse, morder a sua boca e arrancar um pedaço e fazer doer e fazer sangrar e fazer jorrar sangue vermelho como o batom e beijar beijar beijar até borrar o seu batom e borrar o seu pescoço e inundar tudo em sangue tão vermelho, tão vermelho que mancharia rosas brancas.

3 comentarios:

I n L a k ' E c h dijo...

uoul!

- JuH - dijo...

Caramba, hein?!

Sinfonia de Desilusão dijo...

não vou ser hipócrita e dizer: "oh, eu nunca fiz isso!".
por isso, eu digo:
gustavo, nunca vi alguém descrever tão bem uma cena dessas, capturando aquela sensação de que sozinho você consegue se satisfazer, mas que se pudesse se abraçar e se beijar e se morder inteira tudo seria ainda melhor. é uma sensação tão íntima, que me assusta ver como vocÊ descreveu isso tão bem!
ah, me lembrou um pouco a Macabéia, nordestina seca e oca, do "A Hora da Estrela" da Clarice Lispector...
muito lindo, parabéns mesmo!
beijos
tata