jueves, agosto 23, 2007

além de.

ao som de "Bananeira" versão da Caixa Preta. (ou a da Bebel Gilberto)



Há muito sangue espalhado. Copos quebrados, cigarros molhados, cabeças cheias, salas vazias. Tudo dilacera e espatifa e corta como lâmina gelada entrando na pele também gelada, porque nada mais é quente a não ser o sangue, seja ele qual for.
E acabou. Limpa isso tudo, toma um banho bem quente, seca com a toalha mais felpuda, joga água quente pelo chão. Exige de todos essa compaixão, essa pena, se é que se pode chamar de compaixão, ou pena, esse desejo de ser sempre o que merece conforto: egoísmo: imaturidade.
...
Seja qual for teu santo, tua cor favorita, teu orixá. Seja qual for a marca de chá que tu usa, o tipo de roupa que tu veste, tua escola filosófica favorita. Seja qual for teu pensamento mais íntimo, eu te quero assim, cada dia descobrindo mais e mais de ti, cada dia descobrindo que não, eu não sei nada de ti.
...
Escuta, já tá tarde e tu precisa dormir. Eu botei Keith Jarret pra tocar enquanto olho a chuva cair pela vidraça, eu vou fazer um chá bem quente e vou tomar pensando em ti. Eu prometo. Escuta, eu não tenho muito a te oferecer, além de tudo o que me é mais sôfrego e pulsa aqui dentro, além desse “entregar-se por inteiro”, além desse tatear de cego. Nada. Nada além desse chá quente. Desse olhar pela vidraça.

sábado, agosto 11, 2007

diários rabiscados

Diários rabiscados viram livros. Na melhor das hipóteses viram livros. Eu rabisco entre um gole de café gelado uma tragada no cigarro quase só o filtro, rabisco, para ti. “Oi, desenhei uma rosa, quer ver?” “Escrevi um poema. É ele é pra ti.” E então cai cinza em cima das folhas eu amasso tudo jogo fora toco tinta verde-rosa-branca-azul. Guardo com carinho para que fique intacta a carta que nunca te dei. E nunca vou dar.