sábado, noviembre 25, 2006

Três

Eram dois, ali. Nus. Dois amigos, pela casa, na cozinha, fazendo a janta. Nus.
A noite era tediosa e inspirava...os dois deitados, cada um enrolado em sua própria coberta, assistindo ao filme da noite. Um filme francês, com passagens em inglês e mal dublado. Um bom filme.
Voltaram a cozinha. Dois copos. Conhaque. Uma dose apenas para cada, uma dose noturna...faz bem à garganta. Uma dose quase homeopática. Quase saudável. Quase boa. Quente era, uma dose quente, uma dose apenas...de um gole só. Na frente do espelho, de um gole só...dose, dupla.
Um deles voltou ao quarto e a tevê. O outro foi para a sala mexer no computador. Passou uma hora, menos, uns quarenta minutos, se for...conversando com amigas. Amigas do outro, o que estava no quarto...riam, pensavam em outra dose, mas não queriam, podiam, mas não queriam...tinham café. Um café sempre faz bem...a essa hora. Quente. Amargo. Forte. Sem açúcar. Enfim...nem tinha açúcar, apenas mascavo. Mas não fazia falta, nenhuma.
O que via tevê no quarto resolveu ler um pouco...mas era difícil concentrar-se com as risadas do que estava na frente do computador conversando...ia até lá, de dois em dois segundos, para conferir o que se passava. Ou não passava.
Esperavam o café ficar pronto...desligaram o computador.
Voltaram os dois para a sala. Viam tevê e conversavam...tiveram uma idéia. Uma idéia esquisita, mas que lhes fazia falta...há tempos lhe fazia falta.
Pensaram em ligar para uma amiga, mas quem? Nenhuma amiga aceitaria. Nenhuma conhecida aceitaria. Nenhuma namorada aceitaria.
Ligariam para uma puta então.
Quanto gastaríamos? Cinqüenta, setenta? Só se já tivesse passado dos quarenta, ou se viesse com algo a mais no meio das pernas...os dois riam...duzentos? Duzentos e cinqüenta, até mais, que fosse...hoje seria uma noite especial, gastariam com classe, porque não? A campainha tocava.
Abriram a porta. Nus.
A moça entrando, ria do porte físico dos rapazes...mas ela não era paga para rir, então logo conteve-se, fechou a porta e falou:
‘Oi, tem alguma bebida pra me oferecer? Onde eu deixo minhas coisas? Quanto tempo vai ser?’
E retocou o batom.
- Tem alguma coisa ali no balcão, pode pegar.

E a moça serviu-se de um copo de uísque, cheio, e tomou em um só gole. Entrou na sala, despiu-se e deitou no sofá. Botou um cigarro na boca, a boca vermelha mordendo nicotina...acendeu. A fumaça lenta, suas pernas cruzadas, os peitos grandes rijos redondos, a boca vermelha, bem vermelha, os lábios grossos, unhas grandes, unhas segurando o cigarro...tudo em fração de segundos. Soltava a fumaça com classe, descruzava as pernas com classe.
Um dos rapazes, sentado no outro sofá, com um cigarro no canto da boca, passava a mão nos cabelos impaciente, fumava compulsivamente...levantou, sentou do lado da moça, chamou o seu amigo, jogou o cigarro pela janela.
A moça abriu as pernas, do rapaz, com sua mão delicada foi subindo pelas coxas. Segurou.
O rapaz mordeu o seu pescoço, ela desviou, rindo. Ela foi abaixando-se
- Engole?
- Pagando.
O outro rapaz foi até a cozinha e buscou a garrafa de conhaque, tomaram os três, no gargalo.
A moça acendeu mais um cigarro, ajoelhou-se no chão, aos pés dos rapazes.
Eram três, ali. Nus.

lunes, noviembre 20, 2006

Silêncio

Entendo como,
Quem
Não entende.
Já passou da minha hora de dormir,
mas estou aqui na frente
chorando para não rir.
Entende como,
É difícil entendê-la?
Um dia Sol, outro Chuva.
Põe os lençóis novos na cama
Deita-te sobre meu peito
Demora-te
Doa-te
Dói? Suspire
Respire,
(silêncio)
E agora o beijo.

martes, noviembre 14, 2006

Ana chorava por dentro da chuva.

Ana caminhava por dentro da chuva. Seu corpo exalava à Cachaça e Paixão baratas. Cambaleava apoiando-se em postes e marquises. Olhava para trás e sentia-se enojada, enojada de tudo aquilo, enojada de seus sonhos de sua Cachaça de suas paixões de canções e de Natália. Queria fugir de tudo aquilo. Queria estar longe de tudo e todos, deitar-se na grama a contar estrelas, conversar sobre a vida. Terminar com a vida talvez. Trancar-se no chuveiro e disparar uma arma contra a sua cabeça, contra a sua vontade, contra seus sonhos.
Ana cambaleava por dentro da chuva. Procurava apoio em quem passava, mas ninguém passava e seu corpo estava pesado, sua cabeça estava pesada. Ana sentou-se na calçada e chorou. Nervosa. Sinos ecoavam dentro de sua cabeça, arranhavam seu cérebro puxavam de dentro todas as suas aflições... Não sinto mais nada por ti, entenda. Não quero mais teus braços, não quero mais teu colo. Quero fingir que ainda posso gostar de ti, mas entenda, não funciona assim. Não, não é que conheci outra pessoa, entenda Natália, o problema é comigo, apenas comigo. Preciso de um tempo, preciso buscar novos ares, novas paixões. Não. Pára. Não grita. Não quebra. Escuta, quer saber? Simplesmente cansei. Saturou, uma hora satura! Não quero mais. Não quero. Não. Entenda...
Ana caía por dentro da chuva. Seu corpo ainda exalava à Cachaça e Paixão baratas, mas seu corpo e sua cabeça não estavam mais pesados. Ana levantou-se da calçada ainda tonta, encharcada pela chuva e chorou. Aliviada.