A noite era tediosa e inspirava...os dois deitados, cada um enrolado em sua própria coberta, assistindo ao filme da noite. Um filme francês, com passagens em inglês e mal dublado. Um bom filme.
Voltaram a cozinha. Dois copos. Conhaque. Uma dose apenas para cada, uma dose noturna...faz bem à garganta. Uma dose quase homeopática. Quase saudável. Quase boa. Quente era, uma dose quente, uma dose apenas...de um gole só. Na frente do espelho, de um gole só...dose, dupla.
Um deles voltou ao quarto e a tevê. O outro foi para a sala mexer no computador. Passou uma hora, menos, uns quarenta minutos, se for...conversando com amigas. Amigas do outro, o que estava no quarto...riam, pensavam em outra dose, mas não queriam, podiam, mas não queriam...tinham café. Um café sempre faz bem...a essa hora. Quente. Amargo. Forte. Sem açúcar. Enfim...nem tinha açúcar, apenas mascavo. Mas não fazia falta, nenhuma.
O que via tevê no quarto resolveu ler um pouco...mas era difícil concentrar-se com as risadas do que estava na frente do computador conversando...ia até lá, de dois em dois segundos, para conferir o que se passava. Ou não passava.
Esperavam o café ficar pronto...desligaram o computador.
Voltaram os dois para a sala. Viam tevê e conversavam...tiveram uma idéia. Uma idéia esquisita, mas que lhes fazia falta...há tempos lhe fazia falta.
Pensaram em ligar para uma amiga, mas quem? Nenhuma amiga aceitaria. Nenhuma conhecida aceitaria. Nenhuma namorada aceitaria.
Ligariam para uma puta então.
Quanto gastaríamos? Cinqüenta, setenta? Só se já tivesse passado dos quarenta, ou se viesse com algo a mais no meio das pernas...os dois riam...duzentos? Duzentos e cinqüenta, até mais, que fosse...hoje seria uma noite especial, gastariam com classe, porque não? A campainha tocava.
Abriram a porta. Nus.
A moça entrando, ria do porte físico dos rapazes...mas ela não era paga para rir, então logo conteve-se, fechou a porta e falou:
‘Oi, tem alguma bebida pra me oferecer? Onde eu deixo minhas coisas? Quanto tempo vai ser?’
E retocou o batom.
- Tem alguma coisa ali no balcão, pode pegar.
E a moça serviu-se de um copo de uísque, cheio, e tomou em um só gole. Entrou na sala, despiu-se e deitou no sofá. Botou um cigarro na boca, a boca vermelha mordendo nicotina...acendeu. A fumaça lenta, suas pernas cruzadas, os peitos grandes rijos redondos, a boca vermelha, bem vermelha, os lábios grossos, unhas grandes, unhas segurando o cigarro...tudo em fração de segundos. Soltava a fumaça com classe, descruzava as pernas com classe.
Um dos rapazes, sentado no outro sofá, com um cigarro no canto da boca, passava a mão nos cabelos impaciente, fumava compulsivamente...levantou, sentou do lado da moça, chamou o seu amigo, jogou o cigarro pela janela.
A moça abriu as pernas, do rapaz, com sua mão delicada foi subindo pelas coxas. Segurou.
O rapaz mordeu o seu pescoço, ela desviou, rindo. Ela foi abaixando-se
- Engole?
- Pagando.
O outro rapaz foi até a cozinha e buscou a garrafa de conhaque, tomaram os três, no gargalo.
A moça acendeu mais um cigarro, ajoelhou-se no chão, aos pés dos rapazes.
Eram três, ali. Nus.