Ela enlouqueceu, tinha certeza: ela havia enlouquecido. Falava falava falava e tornava a falar, as vezes parava e soluçava baixinho, passava a mão em seus cabelos e se encolhia.
- Maldito! Ela berrava como se alguém pudesse escutar, pintava as paredes do banheiro com seu batom vermelho, escrevia palavras e mais palavras, desenhava círculos triângulos quadrados e mais formas geométricas, jogava o batom longe e arrastava-se para buscá-lo, amassava a sua roupa e sentia-se feia, as vezes parava e soluçava baixinho, bagunçava seus cabelos e se esticava.
Sempre via tudo deitado na cama e as vezes berrava também, mandava parar, arrumar essa bagunça toda e vir dormir, ou sair se atirar em baixo de um carro, pular da nossa sacada, acabar logo com toda essa besteira, ou até, quem sabe, deitar-se em meu peito para que eu possa ajuda-la a chorar. Mas ela havia enlouquecido, dessa vez eu tinha certeza, nunca havia falado tanto assim na vida, a não ser quando contava-me algo desinteressante, mas falava normalmente, e não compulsivamente como agora. Pensei em quebrar algo ou em dormir e fingir que nada estava acontecendo, pensei em levantar e em beber um copo de leite quente.
Mas dessa vez, quando olhei, já havia atirado-se de nossa sacada, e antes que eu pudesse notar, voava graciosamente e zombava de mim, seus cabelos balançavam com o vento, nua e linda ela voava e antes que eu pudesse notar pairava berrando.
- Eu te amo.
- Maldito! Ela berrava como se alguém pudesse escutar, pintava as paredes do banheiro com seu batom vermelho, escrevia palavras e mais palavras, desenhava círculos triângulos quadrados e mais formas geométricas, jogava o batom longe e arrastava-se para buscá-lo, amassava a sua roupa e sentia-se feia, as vezes parava e soluçava baixinho, bagunçava seus cabelos e se esticava.
Sempre via tudo deitado na cama e as vezes berrava também, mandava parar, arrumar essa bagunça toda e vir dormir, ou sair se atirar em baixo de um carro, pular da nossa sacada, acabar logo com toda essa besteira, ou até, quem sabe, deitar-se em meu peito para que eu possa ajuda-la a chorar. Mas ela havia enlouquecido, dessa vez eu tinha certeza, nunca havia falado tanto assim na vida, a não ser quando contava-me algo desinteressante, mas falava normalmente, e não compulsivamente como agora. Pensei em quebrar algo ou em dormir e fingir que nada estava acontecendo, pensei em levantar e em beber um copo de leite quente.
Mas dessa vez, quando olhei, já havia atirado-se de nossa sacada, e antes que eu pudesse notar, voava graciosamente e zombava de mim, seus cabelos balançavam com o vento, nua e linda ela voava e antes que eu pudesse notar pairava berrando.
- Eu te amo.