jueves, febrero 23, 2006

NULO

Pensou um pouco e chegou a conclusão: Não tem opinião nenhuma.

Acorda pouco depois das dez horas, senta na mesa, liga a tv, passa um café e toma junto com bolachinhas cream-cracker. A noite de ontem foi uma droga, seriados americanos divertidos, frio, calor e insônia.
Quase ao meio dia decidiu não almoçar nada, tomou uma água sem gás, com gelo e limão, e só.
Não bebe, não fuma, evita carne vermelha, procura comer frutas e verduras, cereais lhe fazem mal, evita.
Senta ao computador e procura escrever um pouco, qualquer coisa, um soneto romântico e chato, um poema que não diz exatamente nada, um texto sobre um cara qualquer, um pouco de pornografia, qualquer coisa. Não consegue, nada o inspira. Ele ouve o mesmo tipo de música desde a sua adolescência, lê as mesmas revistas, vê os mesmos filmes. Desde quando descobriu que era diferente, embora todos sejam.
Mas ele ainda faz as mesmas coisas, em seu quarto, escondido pra não doer.
Pensa em plagiar alguém descaradamente, é a era do plágio.
Senta e contempla a obra, plagiada, porém sincera. Desconstruiu frases, acordes e pinturas, passos de dança e efeitos especiais, misturou tudo, pintou de verde, jogou em cima da mesa e botou seu nome. Plagiou descaradamente e sinceramente, achou bonito, mas um pouco vazio, sem opinião, sem argumentos...
Mas fazer o que? Não tem opinião nenhuma.


martes, febrero 21, 2006

Eu tenho um Guarda Chuva

Assim, Azul.
Assim, com listras.
Assim, parado.
Assim, sem cor.

Assim, sem versos.
Assim, sem verbos.
Assim; indolor.

Eu tenho um Guarda Chuva,
Que assim como a folha ele paira
Quando o vento faz ele virar, ele paira.

E tenho uma canção
Assim, Azul.
Assim, sem alma.
Assim, calada.
Assim; sem graça.