viernes, diciembre 30, 2005

Pela Palpébra

Se eu vou te ver agora
Com que cara eu hei de ir?
Com que hora
Que aurora
Que roupa vais sair?
Chego ai na hora, prometo-lhe
Saíremos.
Já não vens a minha casa.
Já não sentas em minha vida.
Te vejo pela palpébra
Te sinto, sentida.

domingo, diciembre 11, 2005

Dentro Daquele Terno

Dentro daquele terno preto ficava lindo. Estava morto.

Acordou como todos acordam, como todos não querem acordar, acordou com sono, dormiu sem. Estava pronta para ir para casa dele, estava nervosa.
Passou um café, muito só para ela, mas não foi intencional, botou uma roupa qualquer e foi buscar pão na padaria perto de sua casa, voltou em cinco minutos, nem isso, tomou seu café da manhã longo e pensativo, porém rápido, não tinha tempo.
Tirou aquela roupa tomou um banho, estava cansada, a noite foi longa.
Remédios para dormir, remédios tarja preta, não recomendados pelo médico comprados ilegalmente, muitos deles. Tomou e deitou para dormir, não dormiu, mesmo com os remédios estava sem sono, resolveu ir até a cozinha tomar um whisky para dormir melhor e mais rápido, vomitou.
O muco verde que subia de suas entranhas não era tão nojento quanto os pensamentos da pobre menina suja que toma remédios tarja preta, ela estava com medo, nem lembra o que fez, não quer lembrar. Estava com medo e com frio, estava de calcinha deitada no chão gelado se contorcendo sem poder falar com ninguém, sentia saudade de sua avó.
Saiu do seu banho, se vestiu, uma roupa bonita para o ver, estava ansiosa para ir para a casa dele, não se lembrava porque, mas estava. Pegou sua chave, mas quando abria a porta o telefone tocou, era urgente, parecia urgente.

Dentro daquele terno preto ficava lindo.