Procuras no meio de tuas pernas de santa o teu desejo de puta. São quatro da manhã e tu aí, procurando na TV, e entrando cada vez mais fundo, enquanto o pastor exorciza e a moça rebola, acaricia com movimentos circulares todo o teu stress diário, pois ele é teu, e dás a ele o nome que quiseres.
Uma vida inteira dedicada a ele, e ai, o que ganhaste em troca? Dizem aqui que com a vizinha, dizem ali que com a colega de serviço, e tu? Que nem chegaste a ter um serviço, para que cuidasse com que ele sempre tivesse o que comer quando chegasse cansado da firma, e tu? Que mesmo sem a mínima vontade, e às vezes até com nojo, abria tuas pernas para ele deitar o corpo de macho suado com cheiro de cerveja-escritório-tabaco-trânsito, e tu? Que ficaste em casa criando três filhos sem nunca abrir a boca para reclamar de nada, pros filhos-da-puta-ingratos virem a tua casa uma vez a cada três meses, mas pergunta-te em silêncio, e daí? Pois nunca gostaste mesmo dessas crianças com a cara do pai, todos retardados como ele, mas tu, sempre tu, benévola e amorosa por trinta anos, sorriu e disse que amava.
E tu? O que ganhaste em troca? Agora velha, esquecida e com cheiro de mofo, três meses depois de pedir o divórcio, trabalhando como secretária para um qualquer.
Madrugada de Domingo, quase na hora de acordar, e tu aí, o dedo cada vez mais fundo, e então decidiste:
Amanhã não vai ser no meio de tuas pernas e sim nas do encanador, quem sabe, jardineiro, quem sabe, dentista, que procurarás teu desejo de puta, pois é só isso que te sobrou velha, esquecida, com cheiro de mofo:
Uma vida inteira dedicada a ele, e ai, o que ganhaste em troca? Dizem aqui que com a vizinha, dizem ali que com a colega de serviço, e tu? Que nem chegaste a ter um serviço, para que cuidasse com que ele sempre tivesse o que comer quando chegasse cansado da firma, e tu? Que mesmo sem a mínima vontade, e às vezes até com nojo, abria tuas pernas para ele deitar o corpo de macho suado com cheiro de cerveja-escritório-tabaco-trânsito, e tu? Que ficaste em casa criando três filhos sem nunca abrir a boca para reclamar de nada, pros filhos-da-puta-ingratos virem a tua casa uma vez a cada três meses, mas pergunta-te em silêncio, e daí? Pois nunca gostaste mesmo dessas crianças com a cara do pai, todos retardados como ele, mas tu, sempre tu, benévola e amorosa por trinta anos, sorriu e disse que amava.
E tu? O que ganhaste em troca? Agora velha, esquecida e com cheiro de mofo, três meses depois de pedir o divórcio, trabalhando como secretária para um qualquer.
Madrugada de Domingo, quase na hora de acordar, e tu aí, o dedo cada vez mais fundo, e então decidiste:
Amanhã não vai ser no meio de tuas pernas e sim nas do encanador, quem sabe, jardineiro, quem sabe, dentista, que procurarás teu desejo de puta, pois é só isso que te sobrou velha, esquecida, com cheiro de mofo: