miércoles, agosto 10, 2011

a tempestade (ou o livro dos dias)

Dorme como quem nem queria. Agradece por pelo menos poder dormir o quanto quiser (alguma coisa boa tinha que acontecer hoje). Nem sabe mais o que deveria sentir, mas sabe que ninguém, ninguém, ninguém, vai lhe dizer. Sabe que sente saudade, que sente saudade pra caralho, que só o que sente é saudade. E medo também. Sempre. O companheiro mais antigo, e talvez, o único.
Medo que ela não venha.
Medo que ela não volte.
Medo que não exista mais nada, que de novo, seja tudo só ilusão.
Se sentir só já não é nenhuma novidade, esperar também não. A gente se acostuma com a dor, a gente se acostuma com a tristeza. Talvez um dia se acostume com a felicidade (e a mentira é salvação).
Bebe só mais um copo de cerveja, fuma só mais um cigarro, bebe só mais um copo de cerveja, fuma só mais um cigarro, bebe só mais um copo de cerveja, fuma só mais um cigarro, um ciclo, que se repete, eterno.
Ele sabia que ela não estaria, ele sempre soube que ela não estaria, ele sabia da última vez, ele sabia dessa, ele vai saber da próxima. O passado e o futuro são incrivelmente iguais.
Ele sabia que ela não tava muito bem por lá, que ela queria estar aqui, mas ela escolheu.
Ela finalmente leu o que já deveria ter lido quando ainda era tempo, e talvez ainda seja, seilá, talvez sempre seja.
Não teria a menor graça se ele não se contradissesse o tempo todo. Se ele não reclamasse o tempo todo.

Só pra ver ela sorrir, só pra ver ela sorrir.
E ele nem sabe porque se sente assim, nunca vai saber, mas sempre vai sentir, talvez e só talvez, seja o que lhe impulsione a querer acordar de novo.
Com a saudade, tecer uma prece, prum novo dia, que seja diferente de ontem.
Mas não vai ser.
Talvez, e só talvez, seja o que lhe impulsione. A continuar, suicida, esperançoso, incrivelmente sozinho.
Em uma madrugada que parece a mesma de sempre, em uma madrugada que parece, e sempre parece, que nunca vai acabar, em uma madrugada que parece que é tudo eterno.
Sabe, isso é o que pra ele dói mais (ninguém sabia e ninguém viu que eu estava ao teu lado então...).
Tão cínico, sempre.

não estava nada bem, mas a tempestade lhe distrai.


strawberry
fields
forever.

No hay comentarios.: