martes, febrero 01, 2011

como sempre

Fumava, como sempre, silencioso, na janela, como sempre. Como é mesmo o nome daquela música? Aquela que fica linda na voz da Céu? Tentava lembrar a letra.

(pois o teu samba tem mistério e é gostoso de sambar...)

Levantou e sentou na cama, do lado dela, ela sorriu. Ele também. Um sorriso contido, de canto de boca. Depois desviou o olhar, procurou algo pra fazer com as mãos, procurou algo pra fazer com as pernas, procurou algo pra fazer com o corpo todo. Pensou em deitar e puxar ela pra cima de si, ou pra baixo, ou pelo menos pro lado. Levantou e buscou um copo de água.

A noite tá bonita hoje. Dá vontade de sair e tomar cerveja, dançar samba.

Dá vontade de tomar vinho, dançar tango. Noite romântica. Noite argentina.

Tá quente demais pra vinho.

Tá quente demais pra qualquer coisa.

Tira a camisa.

Ele tirou. Sorriu e acendeu outro cigarro. Ela também, embora não quisesse fumar.

Põe uma música...

Ponho.

Botou a que ele queria escutar. Levantaram e dançaram. Rosto colado. Corpo colado. Suor. Perfumes misturados. Noite romântica. Noite argentina.

Embora não fosse tango.

Sentaram na cama, ele sorriu. Ela também. Sorriso contido. Corpo contido. Noite contida. Depois desviou o olhar.

Me alcança um cigarro?

Ela esperou que ele fizesse algo. Ele não fez.

Ela continuaria esperando, como sempre.

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