viernes, diciembre 15, 2006

Medo

Sentia-se constrangido, sem ação que lhe fosse plausível de reciprocidade (olha para os lados acuado em seus próprios olhares e sorrisos e trejeitos). Ela foi embora tão cedo que nem puderam despedir-se direito, foi assim, um até breve rápido, um até logo breve, carregado de educação e sem nenhum pingo de sentimentalismo. Pelo menos aparente. Ou seria um misto de vergonha com medo de negação? Fuga. Falta de tato para perceber o momento adequado, o momento certo, o momento esperado. Ou não existiria um momento esperado?
Existem duas possibilidades aparentes em um mar de possibilidades: Ou tudo não passa de imaginação dele – quem sabe dela – ou realmente aconteceu: A rispidez aparente é apenas constrangimento misturado com ética e bons costumes. Desejavam os dois a mesma coisa e faziam-se de cegos mudos surdos tetraplégicos para fugir da situação?
Olhavam-se quando sabiam que o alvo do olhar não estava reparando. Embora os dois olhassem, embora os dois desejassem a mesma coisa. Eram iguais nesse sentido – podiam, mas sentiam medo –
Suava e sentia-se ridículo, sem palavras para desculpar-se para si mesmo.
Sabia que isso aconteceria. Sempre soube. Desde o momento do cumprimento inicial, desde antes. Desde antes de conhecê-la. Porque não era a primeira, e não iria ser a última.
Promete a si mesmo que essa foi a última vez, que da próxima vez vai ser diferente. O medo não o faria abandonar o desejo.
Volta para casa nervoso, mas satisfeito. Olha para os lados acuado em seus próprios olhares e sorrisos e trejeitos.

4 comentarios:

Rodrigo Boemia dijo...

Genial !

Baá dijo...

sei bem como é. ou não.
beijo garoto.

O Gafa dijo...

Quanta oportunidade boa se perde por conta disso...

Anónimo dijo...

Não consigo deixar de lembrar do Dalton...