martes, noviembre 14, 2006

Ana chorava por dentro da chuva.

Ana caminhava por dentro da chuva. Seu corpo exalava à Cachaça e Paixão baratas. Cambaleava apoiando-se em postes e marquises. Olhava para trás e sentia-se enojada, enojada de tudo aquilo, enojada de seus sonhos de sua Cachaça de suas paixões de canções e de Natália. Queria fugir de tudo aquilo. Queria estar longe de tudo e todos, deitar-se na grama a contar estrelas, conversar sobre a vida. Terminar com a vida talvez. Trancar-se no chuveiro e disparar uma arma contra a sua cabeça, contra a sua vontade, contra seus sonhos.
Ana cambaleava por dentro da chuva. Procurava apoio em quem passava, mas ninguém passava e seu corpo estava pesado, sua cabeça estava pesada. Ana sentou-se na calçada e chorou. Nervosa. Sinos ecoavam dentro de sua cabeça, arranhavam seu cérebro puxavam de dentro todas as suas aflições

Não sinto mais nada por ti, entenda. Não quero mais teus braços, não quero mais teu colo. Quero fingir que ainda posso gostar de ti, mas entenda, não funciona assim. Não, não é que conheci outra pessoa, entenda Natália, o problema é comigo, apenas comigo. Preciso de um tempo, preciso buscar novos ares, novas paixões. Não. Pára. Não grita. Não quebra. Escuta, quer saber? Simplesmente cansei. Saturou, uma hora satura! Não quero mais. Não quero. Não. Entenda...


Ana caía por dentro da chuva. Seu corpo ainda exalava à Cachaça e Paixão baratas, mas seu corpo e sua cabeça não estavam mais pesados. Ana levantou-se da calçada ainda tonta, encharcada pela chuva e chorou. Aliviada.


6 comentarios:

Vento. dijo...

"Trancar-se no chuveiro e disparar uma arma contra a sua cabeça contra a sua vontade contra seus sonhos."

É isso o que eu quero e o que evito com a mesma frequencia.

Queria fugir de tudo aquilo, fugir para bem longe...fugir de seus problemas ao invés de resolvê-los. E porque não?

Porque? Porque não são os problemas que machucam e ferem e doem, é o peso. E o peso persegue.

Não é assim que eu ajo, mas é assim que eu penso. Confuso, mas entenda, algumas coisas só se resolvem em dias de chuva. "I'll do my crying in the rain".

Barbara dijo...

"encharcada pela chuva e chorou. Aliviada."

faz bem e doi ao mesmo tempo.

senti arrepiar :*

PUNKSSAURO dijo...

Não grita. Não quebra. A cena é boa.

O que eu quebraria ali se fosse numa sala dum apê? Rasgaria uma almofada nos dentes? Puxaria a cortina? Chutaria uma cadeira?

Se for fazer dessa cena um roteiro, conversa com o diretor e os atores, o papo vai render.

Abraços!

O Gafa dijo...

Os meus textos preferidos que tu faz, são o que não entendo. Tipo esse!

Por exemplo... Ana e Natália eram a mesma pessoa, eram amantes, eram Pseudônimos. Não? Nada a ver né?!

Ainda acho que estourar os miolos e radicalismo, e EU, conservador.

Concordando com o Punkssauro, gostei muito de imaginar a cena em Itálico (não propriamente a cena, mas o que estava escrito! imagina, todo mundo inclinadinho pradireita...)!

Mas sempre chove, ou faz sol com passarinho cantando.

;jubs dijo...

Pessoas problemáticas ehim haha..

Vento. dijo...

eu sabia que tu ia notar a sordidez do detalhe.

ele atropela ela. óh, como o destino é cruel.